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OPINIÃO: A amnésia das lembranças do passado evidencia a sabedoria divina 

Jader Hoffmeister

A essência do Espiritismo é trabalhar sempre, alicerçado em três pilares básicos que são a lógica, a razoabilidade e o bom senso, de forma a incitar o homem a pensar, raciocinar e refletir sobre as verdadeiras causas das aflições humanas. Os defeitos que temos hoje são os mesmos defeitos que tínhamos ontem e é bem provável que eles nos acompanhem, ainda, em outras muitas vidas que haveremos de viver como espíritos imortais que somos. 

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Um dos argumentos usados pelos que não acreditam na tese da reencarnação é o fato de as pessoas não se recordarem do que foram e o que fizeram em vidas anteriores. Quem pensa assim não percebe que o cérebro físico, este centro coletor de quase todas as atividades vitais necessárias à nossa sobrevivência, não pode arquivar lembranças de algo que não viveu pela singela razão de que ele pertence ao corpo desta vida. 

 Por outro lado, as encarnações, caso fosse possível lembrá-las, não seriam novas oportunidades nem, tampouco, um recomeço, mas, sim, um continuar alimentado pelos mesmos sentimentos do passado em um emaranhado de emoções e experiências desequilibradas e contraditórias. 

A recordação das vidas passadas estaria também ligada à lembrança do passado dos outros, perpetuando, assim, as discórdias, os ódios entre desafetos, não encontrando ambiente emocional propício para a devida reconciliação entre os envolvidos e devedores entre si, pois, não raro, o espírito renasce no meio em que já viveu, estabelecendo, através dos laços de sangue, novas relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. 

Se reconhecesse nelas a quem odiou, provavelmente o ódio lhe despertaria outra vez no íntimo, deixando-o constrangido e humilhado em presença daqueles a quem houvesse ofendido. No estado evolutivo em que nos encontramos presentemente, não estamos ainda preparados para lidar com as lembranças do passado, principalmente reconhecer, nos nossos familiares, pessoas que nos prejudicaram ou que foram prejudicadas por nós em outras vidas. 

Aliás, como você se sentiria se lembrasse, ainda que por um lapso de tempo, que você cometeu ou foi vítima de verdadeiras atrocidades contra alguém que, hoje, junto com você, mora sob o mesmo teto? À medida que o espírito se eleva e se torna mais desprendido da matéria, pode perceber os feitos de suas vidas passadas, sem que essas lembranças lhe tragam prejuízos na vida presente. 

Mas no degrau de evolução espiritual em que estamos, o esquecimento do passado não só é importante como essencial para a continuação do progresso do espírito imortal. Não o conhecendo é que teremos mais chances de progredir. Por isso, é importante preocuparmo-nos com os atos que praticamos no presente, porque é nele que vivemos e eles serão fundamentais para o nosso futuro, onde viveremos. Por tudo isso, e com sobradas razões, que a amnésia das lembranças do passado evidencia a sabedoria divina.

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